O número de empregados com carteira assinada no setor privado atingiu recorde histórico em julho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27). A taxa de desemprego no período caiu para 5,3%, a menor marca da série.
No total, 39,4 milhões de pessoas estavam empregadas com carteira assinada no setor privado, alta de 0,4% em relação ao trimestre móvel anterior, o que representa a criação de 139 mil vagas. Em doze meses, o indicador registrou a criação de 314 mil postos de trabalho formais.
A população ocupada total, somando trabalhos formais e informais, chegou a 103,3 milhões de pessoas, renovando o recorde da série histórica do IBGE. Na comparação entre trimestres móveis, foram criadas 1 milhão de vagas, avanço de 1% na ocupação. Em um ano, o crescimento foi de 899 mil postos.
Apesar do recorde formal, a taxa de informalidade subiu para 37,5%, contra 37,2% no trimestre encerrado em abril. Atualmente, 38,8 milhões de trabalhadores estão em ocupações informais. Do total de 1 milhão de vagas abertas no último trimestre, 657 mil foram em postos sem carteira.
O grupo de informais inclui trabalhadores por conta própria, empregadores sem CNPJ, trabalhadores familiares e domésticos ou do setor privado sem registro. William Kratochwill, analista da Pnad Contínua, afirmou que o peso da informalidade reflete características estruturais de economias em desenvolvimento.
Kratochwill explicou que o crescimento da ocupação informal no período foi impulsionado pela construção civil, atividade marcada por trabalhos temporários e bicos. O analista comparou o cenário brasileiro com economias nórdicas, onde a parcela de trabalhadores por conta própria é pequena.
A metodologia da Pnad Contínua baseia-se em entrevistas domiciliares. O sistema difere do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que calcula a geração de vagas pelo saldo entre admissões e demissões.


