Produtores de uvas finas no Rio Grande do Sul acionaram sistemas anti-geada nos últimos dias para proteger brotos em fase de evolução nas regiões serranas. A medida visa impedir o congelamento das videiras, com atenção especial às variedades brancas, que apresentam maior sensibilidade a intempéries climáticas.
Na vinícola AlmaÚnica, localizada no Vale dos Vinhedos, tratores operaram durante duas madrugadas para aspergir água sobre as plantas. A enóloga Denise Brandelli explicou que a água forma uma película ao redor do broto, gerando uma camada de gelo externa que protege o centro da fruta e mantém as características necessárias para a etapa atual do cultivo.
O método de aspersão substitui a prática antiga de instalar superfícies de calor, como tochas de fogo, que tem caído em desuso inclusive na França por aquecer áreas reduzidas. A operação de irrigação precisa ser contínua, concentrando-se nos períodos de menor temperatura, durante a madrugada.
Em Monte Belo do Sul, a vinícola Casa Marques Pereira utilizou um sistema de aspersão automatizado instalado em 2024. A propriedade está situada a aproximadamente 560 metros de altitude. Segundo o vinhateiro Felipe Marques Pereira, as gotículas finas formam uma estrutura similar a um “iglu” que evita a queima das gemas das videiras.
A proteção é considerada essencial para garantir o ciclo vegetativo e fenólico de cepas como Nebbiolo, Marzemino e Alvarinho, visando a colheita prevista para o próximo verão. As uvas finas, da espécie Vitis vinifera, possuem maior exigência de cultivo e sensibilidade a pragas do que as variedades comuns.


