O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, rejeitou nesta quinta-feira (27) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de renomear o Lago Ontário como “Lago América”. Carney afirmou que o nome original permanecerá em uso pelo Canadá, horas depois de Trump assinar um decreto para mudar a denominação em documentos federais norte-americanos.
A medida do governo dos EUA determina o uso do novo nome em mapas e comunicações oficiais. A ordem não altera a denominação adotada pelo Canadá nem obriga empresas privadas, governos locais ou organismos internacionais a adotarem a mudança. O secretário do Interior tem 30 dias para atualizar os registros federais junto ao Conselho de Nomes Geográficos dos EUA.
Em publicação no X, Carney justificou a posição canadense citando a história do local. O primeiro-ministro disse que o nome tem mais de 400 anos, sendo anterior tanto à Confederação do Canadá quanto à Declaração de Independência dos Estados Unidos. O Lago Ontário é compartilhado pelos dois países, com 52% de sua superfície no Canadá e 48% nos EUA.
O conflito geográfico ocorre após o fracasso de negociações comerciais. À 0h01 de 22 de agosto, Washington impôs tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. Em resposta, o Canadá anunciou na terça-feira (25) tarifas de 15%, 25% e 50% sobre mais de 700 produtos norte-americanos, totalizando 27,6 bilhões de dólares canadenses (cerca de US$ 20 bilhões). As cobranças canadenses começam em 8 de setembro.
Trump anunciou ainda a intenção de aplicar tarifas de 50% sobre carros, caminhões e autopeças do Canadá a partir de 1º de janeiro de 2027. A medida impactaria a província de Ontário, polo de produção de aço e veículos. O premiê de Ontário, Doug Ford, afirmou que o governo provincial pode interromper as exportações de eletricidade para os Estados Unidos como retaliação.

