A Polícia Federal (PF) investiga um contrato de intermediação com previsão de “taxa de sucesso” firmado entre o empresário de tecnologia Cleber Ribas de Oliveira e a consultoria de Roberta Luchsinger. O acordo visava a celebração de negócios com o governo federal, com repasses que somam quase R$ 3 milhões.
Segundo a PF, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Fernando Bittar seriam sócios ocultos de Luchsinger na RL Consultoria. Mensagens analisadas indicam que a relação entre a lobista e o empresário começou em março de 2023, quando discutiram a assinatura de um contrato de intermediação para prospectar contratos públicos.
Ao todo, a Polícia Federal identificou repasses de R$ 2,85 milhões feitos por empresas do grupo de Oliveira à RL Consultoria ao longo de três anos. A Ribas Informática transferiu R$ 1,5 milhão, a 3Structure enviou R$ 1 milhão, a Santos Soluções repassou R$ 150 mil e o sócio José Alberto Abdon pagou R$ 300 mil.
A Santos Soluções também possui contratos com a União, tendo recebido R$ 25 mil em 2021 e R$ 721 mil em 2023. A PF apura se houve a utilização de relações pessoais privilegiadas para obtenção de vantagens indevidas em órgãos públicos e favorecimento ilícito a agentes públicos, incluindo possíveis negócios na Dataprev e nos estados de Tocantins e Maranhão.
Em mensagens de agosto de 2025, Luchsinger menciona que o “menino” estaria cobrando passagens, termo que a PF interpreta como referência a Lulinha, que teria usufruído dos repasses. A corporação solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para aprofundar a análise dos diálogos e transferências financeiras.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que os relatórios fazem parte do início de uma investigação e que as mensagens foram suprimidas e selecionadas para levantar hipóteses que ainda serão validadas ou descartadas. Cleber Ribas de Oliveira declarou que não pode comentar as mensagens sem acesso aos dados brutos da interceptação ou à totalidade do processo.

