O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reconheceu nesta quinta-feira (27) que o país enfrenta uma situação de sofrimento devido a uma grave crise econômica e social. Em entrevista à imprensa, o líder comunista classificou o cenário como complexo, mas negou que a ilha esteja próxima de um colapso ou que o regime perca o controle.
A população cubana lida com apagões frequentes, escassez de água e dificuldades no transporte público. O funcionamento de hospitais está limitado e há forte alta de preços em alimentos e medicamentos, especialmente no mercado informal. Díaz-Canel afirmou considerar correta a avaliação de especialistas internacionais de que Cuba corre o risco de se transformar em uma espécie de Gaza silenciosa.
Para tentar conter a deterioração econômica, o governo aprovou em junho um pacote com 176 medidas para ampliar e descentralizar a atividade produtiva. O plano prevê maior espaço para empresas privadas e permite que companhias estrangeiras explorem terras por até 99 anos. O presidente negou que as mudanças representem uma abertura ao capitalismo, afirmando que o país segue em um processo de construção socialista.
Díaz-Canel atribuiu parte dos problemas à política dos Estados Unidos e criticou o presidente Donald Trump. Segundo o líder, Washington tenta subjugar a ilha e provocar uma asfixia econômica para gerar uma explosão social que leve à queda da Revolução. Ele informou que o diálogo entre Havana e Washington está estagnado, sem agenda definida para novas negociações.
Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar norte-americana e seu próprio destino, o presidente declarou que enfrentaria a situação. Ele afirmou que, se chegar a sua hora, não será com fraqueza ou covardia, mas lutando. Díaz-Canel disse que o governo não pretende capitular diante da pressão externa e que a única alternativa é resistir.


