O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marcaram para 17 de dezembro o leilão da concessão de 211,6 quilômetros das BRs 060 e 153. O novo contrato prevê investimentos de R$ 4,14 bilhões e pode elevar a tarifa de pedágio para veículos leves de R$ 5,40 para R$ 20.
O trecho, conhecido como Rota do Pequi, liga Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis a Brasília. Atualmente sob gestão da Triunfo Concebra, a área é o último segmento desmembrado de uma concessão original de 2013. A empresa solicitou a rescisão amigável do contrato, alegando que alterações no cenário econômico-financeiro entre 2015 e 2016 e mudanças em financiamentos subsidiados comprometeram a capacidade de investimentos.
As melhorias previstas no novo contrato incluem a construção do contorno de Goiânia e a implantação de mais de 50 quilômetros de terceiras faixas na BR-060. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) suspendeu a licitação pública do contorno para evitar a sobreposição de recursos federais com os investimentos da futura concessionária, conforme entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU).
O novo modelo busca sustentabilidade financeira para evitar deságios elevados no leilão. Para os usuários, o contrato prevê o Desconto de Usuário Frequente (DUF), com abatimentos automáticos via tags eletrônicas para quem trafega regularmente entre Goiânia, Goianápolis e Anápolis. Há também a possibilidade de implementação do sistema Free Flow, que elimina as praças de pedágio com cancelas.
Dados de 2025 da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que 53,2% da extensão rodoviária avaliada em Goiás apresenta problemas, com destaque para falhas na geometria (57,3%) e no pavimento (51,4%). A BR-153 concentra os índices mais críticos, registrando 973 acidentes e 91 mortes, o que representa cerca de 30% dos totais do estado.
A Triunfo Concebra informou que, entre julho de 2024 e julho de 2026, realizou serviços de manutenção como 12,2 mil toneladas de remendo no pavimento e 48,3 milhões de m² de roçada. A concessionária afirmou que o valor atual da tarifa não viabiliza novas obras de pavimentação ou ampliação da capacidade viária.

