O coordenador-geral do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Lincoln Alves, alertou que o El Niño de 2026 pode provocar uma cadeia de impactos sociais, econômicos e de saúde no Brasil, com pico de intensidade previsto entre outubro e dezembro.
Segundo a agência climática dos EUA (NOAA), há 81% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” no último trimestre do ano. O índice semanal registrava um acréscimo de 1,2°C em julho, indicando que o aquecimento das águas do Pacífico deve persistir até o início de 2027.
Alves explicou que o padrão clássico prevê menos chuva na Amazônia e no Nordeste, enquanto o Sul deve enfrentar maior volume de precipitação. No Sudeste e em parte do Centro-Oeste, a relação é menos direta e varia conforme a circulação atmosférica e a influência do Atlântico Tropical.
As principais preocupações no centro, norte e nordeste do país incluem ondas de calor, baixa umidade e aumento de incêndios florestais. Já no Sul, o risco concentra-se em chuvas intensas, cheias e deslizamentos. O cientista afirmou que a mudança climática agrava a situação, pois a atmosfera mais quente armazena mais vapor de água e a vegetação seca mais rápido.
O coordenador do MMA informou que, embora não haja tempo para grandes obras de infraestrutura, governos devem revisar planos de contingência, limpar canais e inspecionar encostas. Ele citou a segurança hídrica e a saúde pública como pontos críticos, destacando que ondas de calor pressionam idosos e crianças, enquanto a fumaça de incêndios prejudica a qualidade do ar.
Sobre a previsibilidade, Alves declarou que o Sudeste é a região onde o impacto é mais difícil de prever por estar em uma zona de transição climática. Ele afirmou que o Plano Clima Adaptação do governo federal busca transformar a reação a eventos isolados em uma política permanente de gestão de risco.


