O governo de Pernambuco exonerou Amisadai Andrade da Silva nesta terça-feira (25), após a divulgação de que o servidor atuaria como operador de uma rede de perfis digitais paga com recursos públicos para atacar adversários políticos da governadora Raquel Lyra (PSD), incluindo o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
A medida ocorreu no mesmo dia em que reportagem apontou a existência de um suposto “gabinete do ódio” investigado pela Polícia Federal. Gravações mostram o servidor, que é funcionário da Caixa Econômica Federal e estava cedido à Secretaria Estadual de Turismo e Lazer, negociando ataques nas redes sociais. Amisadai teria coordenado mais de 300 perfis, com conteúdos disparados na página “Portal da Prefeitura”, que possuía 300 mil seguidores.
A empresa de publicidade dona da página, Portal Comunicação e Marketing LTDA, possui contratos com a gestão estadual desde 2023 e recebeu mais de R$ 500 mil. Em resposta, o governo de Pernambuco declarou que a publicidade é executada via licitação e que os valores destinados ao veículo em 2026 representam 0,3% do investimento permitido ao Estado, distribuído entre dezenas de veículos.
O advogado Rafael Carneiro, representando a coligação de João Campos, afirmou haver indícios de uma estrutura voltada a beneficiar a candidatura de Lyra. Amisadai, procurado pela imprensa, disse que não é sócio da empresa de marketing desde setembro de 2024 e que não responde por atos praticados após sua saída. Ele havia sido nomeado para cargo no governo em novembro de 2024.
Paralelamente, o PSD de Pernambuco acionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) para preservar provas de uma rede de perfis anônimos que atacaria a governadora e promoveria Campos. A ação cita 15 perfis e 124 publicações entre maio e julho. O desembargador Erik de Souza Dantas Simões determinou a preservação de dados da Meta e da Claro, mas adiou a quebra de sigilo.
O PSD aponta que contas da rede estariam registradas em nome de moradores de Cataguases, em Minas Gerais, sugerindo administração centralizada. A equipe de João Campos negou a existência de rede coordenada ou vínculo com a Prefeitura do Recife, alegando que a decisão judicial não reconheceu irregularidades e que a ação do PSD apresenta falhas e inconsistências.

