A Australian Recording Industry Association (ARIA) anunciou que canções criadas total ou majoritariamente por inteligência artificial generativa estão proibidas de integrar as paradas musicais da Austrália. A medida, que entra em vigor nesta sexta-feira (28), visa proteger os direitos autorais de artistas originais e evitar a manipulação de streams.
As novas regras permitem que a tecnologia seja utilizada apenas como recurso de apoio. Para serem elegíveis, as gravações devem ser substancialmente feitas por humanos. Faixas cujo vocal principal ou performance instrumental fundamental seja gerado por IA serão excluídas, embora vocais de apoio sintéticos acompanhando um cantor humano continuem permitidos.
A CEO da ARIA, Annabelle Herd, afirmou que uma parada que recompensasse produções de IA comprometeria os fundamentos da música gravada. A organização poderá retirar músicas das paradas caso sejam consideradas inelegíveis, mas os artistas terão direito a recorrer da decisão. As obras geradas por IA também não poderão concorrer ao ARIA Awards, principal premiação do setor no país.
A decisão ocorre após a polêmica envolvendo uma versão de Like a Prayer, de Madonna, que atingiu o topo das paradas com 48 milhões de reproduções no Spotify antes de receber créditos de IA. Segundo a imprensa local, a iniciativa foi vista por profissionais como a compositora Alexis Weaver como um passo importante para a valorização da criatividade humana.
O músico Ben Lee disse que a IA não generativa já é usada para correções de afinação e ruídos, mas defendeu que os impactos da IA generativa precisam de análise responsável. Para ele, a medida não é um ponto final, mas o início de uma conversa sobre a integração dessas tecnologias.
A ARIA baseou suas mudanças nos princípios da Federação Internacional da Indústria Fonográfica, que já proibiu músicas totalmente geradas por IA em paradas da América Latina, Oriente Médio, África e Sudeste Asiático. Oliver Bown, professor da Universidade de Nova Gales do Sul, informou que governos e gravadoras em todo o mundo monitoram a velocidade sem precedentes do desenvolvimento desses modelos.


