O bairro do Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, concentra marcos históricos que vão desde a aldeia tupinambá Eiraiá, no século XVI, até a tentativa de fundação de um município próprio em 1960, projeto que foi barrado pelo então governador Carlos Lacerda.
No topo do Monte Escada de Jacó, local hoje utilizado para cultos evangélicos, funcionou um fortim militar em 1716. A estrutura foi erguida como resposta à invasão de corsários franceses em 1711, episódio que forçou o governador Francisco de Castro Morais a pagar resgate em ouro e gado ao líder francês René Duguay-Trouin.
O arqueólogo Cláudio Prado indica que a região possui relevância histórica. Foram coletados no local fragmentos de porcelana e faiança portuguesa dos séculos XVII e XVIII, além de cerâmicas possivelmente indígenas ou quilombolas e balas de mosquete.
A origem do nome remete a 1578, quando o viajante francês Jean de Léry registrou a existência da aldeia tupinambá Eiraiá. A tradução do termo em tupi significa “terra onde brota o mel”. No século XIX, o título de Conde de Irajá foi concedido por Dom Pedro II ao bispo Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942, crianças de Irajá, Vicente de Carvalho e Vaz Lobo arrecadaram fundos vendendo materiais recicláveis para comprar um avião. A aeronave, chamada Jangadeiro, foi transportada em um bonde e serviu para o treinamento de pilotos em campanha do Ministério da Aeronáutica.
Em maio de 1960, a Comissão Pró-Município de Irajá planejou a criação de uma cidade que teria como sede o bairro e incluiria Pavuna, Rocha Miranda, Vila da Penha e Parada de Lucas. O projeto previa a emancipação para 1962.
A proposta enfrentou oposição de Carlos Lacerda, que argumentou que a emancipação retiraria a arrecadação de impostos do estado. Em plebiscito realizado em abril de 1963, 95% dos votantes rejeitaram a criação do município.

