A Petrobras elevou de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões o limite de crédito comercial da Braskem para a aquisição de matérias-primas. A medida, anunciada na quarta-feira (26), ocorreu na segunda-feira (24), mesma data em que a petroquímica solicitou recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo.
O novo contrato estabelece prazo de 30 dias para o pagamento dos insumos e terá vigência até 31 de dezembro de 2026. A ampliação do crédito depende da criação de garantias, incluindo a cessão fiduciária de direitos creditórios de clientes da Braskem no valor aproximado de R$ 1 bilhão por mês.
Os recursos serão destinados a uma conta vinculada com retenção mínima de R$ 300 milhões. O aumento do limite só passa a valer após a constituição dessas contas e a existência de saldo mínimo de R$ 150 milhões. Valores excedentes podem ser transferidos para a Braskem se a empresa estiver adimplente.
A Braskem também oferecerá créditos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) como garantia. A Petrobras poderá suspender o crédito caso o fluxo mensal de recebíveis não seja cumprido ou em situações de falência, liquidação da companhia e inadimplemento de obrigações.
A petroleira informou que os mecanismos de suspensão, vencimento antecipado e monitoramento reduzem a exposição na operação. A transação recebeu aprovação da Diretoria Executiva da Petrobras e do Conselho de Administração da Braskem.
Paralelamente, a Braskem busca reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras sem garantia por meio da recuperação extrajudicial. O processo concede 90 dias de proteção contra ações de credores.
A companhia afirmou que a medida tem escopo financeiro e não afeta compromissos com fornecedores, clientes ou outros grupos ligados à operação, que seguem vigentes conforme os contratos.


