Empresas chinesas de sistemas de armazenamento de energia garantiram 298 gigawatts-hora (GWh) em contratos no exterior no primeiro semestre de 2026, alta de 83% em relação ao ano anterior. O crescimento foi impulsionado pela demanda na Europa, que compensa a exclusão de fabricantes chineses do mercado norte-americano por barreiras comerciais.
A Europa respondeu por quase 120 GWh, representando mais de um terço do total de encomendas, segundo dados da Aliança Tecnológica da Indústria de Armazenamento de Energia de Zhongguancun divulgados nesta quinta-feira (27). O continente mantém-se aberto a essas baterias, que enfrentam menos restrições do que as de veículos elétricos. As regras de pegada de carbono da União Europeia para armazenamento industrial devem entrar em vigor apenas em 2029.
Na América do Norte, os novos pedidos somaram cerca de 5 GWh, retirando a região da lista de principais mercados. A queda deve se acelerar após o presidente Donald Trump assinar decreto que proíbe a aquisição ou instalação de equipamentos elétricos estrangeiros em grandes sistemas de energia, alegando motivos de segurança nacional.
A Austrália ocupa a segunda posição como maior mercado externo, com cerca de 30 GWh em encomendas. No Oriente Médio, o volume ficou pouco abaixo de 30 GWh, resultado inferior às expectativas devido a conflitos regionais envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que prejudicaram a logística e os investimentos.
Para enfrentar o cenário de protecionismo, as companhias chinesas alteraram a estratégia global. A tendência é a substituição de exportações diretas por joint ventures no exterior, localização de serviços e licenciamento de tecnologia. O modelo visa contornar tarifas, acessar subsídios governamentais estrangeiros e mitigar riscos na cadeia de suprimentos.

