A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia mudaram as recomendações para o diagnóstico e tratamento de alterações da tireoide na gestação. A nova diretriz suspende o uso de hormônios sintéticos para gestantes com anticorpos positivos, mas com funcionamento normal da glândula.
A mudança ocorre após três estudos comprovarem que o tratamento preventivo, nesses casos, não reduz riscos de parto prematuro ou abortamento. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia. As orientações seguem a base de uma diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide em junho deste ano.
De acordo com Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, a detecção de anticorpo positivo indica apenas uma predisposição. Se os níveis de TSH e T4 livre estiverem normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício no uso de levotiroxina. A glândula continuará sendo monitorada devido ao risco de desenvolvimento de hipotireoidismo durante a gravidez.
O Brasil manterá o rastreamento precoce para todas as gestantes desde o início da gravidez, divergindo da norma americana, que sugere a triagem apenas para mulheres com fatores de risco. Mesa Júnior afirmou que o rastreamento seletivo pode deixar de identificar mulheres que apresentam alterações, mas não possuem os critérios de risco considerados.
Houve também alteração no manejo do hipotireoidismo subclínico. O tratamento para TSH entre 4,0 e 10 mUI/L agora foca no primeiro trimestre, até a 12ª semana, período em que o feto mais depende do hormônio materno. Se identificado no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é apenas acompanhar a função tireoidiana, a menos que o TSH seja superior a 10 mUI/L.
Para mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a recomendação permanece de aumentar a dose habitual do hormônio em cerca de 30% após a concepção. Sobre a suplementação de iodo, as sociedades brasileiras não recomendam o uso generalizado, orientando a dose de 100 a 150 µg por dia apenas para casos individualizados, como dietas veganas ou restritivas.

