O Partido Social Democrático (PSD) lança o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como candidato à Presidência da República, mas enfrenta dificuldades para unificar a legenda. Apesar de ter candidatos ao governo em 13 estados, a sigla conta com o apoio dos palanques estaduais em apenas quatro deles.
A fragmentação é mais evidente nos quatro maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, o partido apoia a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em Minas Gerais, o candidato do PSD, Mateus Simões, apoia Romeu Zema (Novo). No Rio de Janeiro, Eduardo Paes é aliado do presidente Lula (PT), enquanto na Bahia a sigla integra a coligação petista para a reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).
O cenário de tensão interna foi agravado por declarações de Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice-presidente. Kassab afirmou que a chance de eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) é zero, o que desagradou Caiado. O ex-governador avaliou que a fala poderia sugerir proximidade da chapa com o PT. O episódio ocorreu paralelamente à demissão de Paulo Vasconcelos da direção de marketing da campanha nesta segunda-feira (17), devido a divergências com Caiado.
Atualmente, seis candidatos do PSD aos governos estaduais oficializaram apoio a Lula: Omar Aziz (AM), Natasha Slhessarenko (MT), Raquel Lyra (PB), Eduardo Paes (RJ), Fabio Mitidieri (SE) e Laurez Moreira (TO). O apoio público a Caiado vem de José Roberto Arruda (DF), Sandro Alex (PR), Adailton Fúria (RO) e João Rodrigues (SC). No Amapá, a legenda mantém apoio ao candidato presidencial, enquanto no Maranhão, Eduardo Braide adota neutralidade.
O PSD chega ao pleito com a maior máquina municipal do país, tendo eleito 887 prefeitos e 6.953 vereadores nas eleições de 2024, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A sigla possui 48 deputados federais e 14 senadores. Para o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fespsp, a legenda tem dificuldade em transferir a força burocrática e municipal para um projeto presidencial, já que seu crescimento ocorreu via engrenagens locais e emendas parlamentares.

