Guardar abacate verde na geladeira compromete a textura da polpa e deixa o sabor amargo, segundo o gastrônomo Alvaro Mielke. O especialista recomenda manter o alimento em temperatura ambiente, em local fresco e sombreado, para que a maturação ocorra de forma adequada.
O frio impede que o amido da polpa seja transformado em açúcar e prejudica as mudanças estruturais que tornam a fruta macia. Como o abacate é uma fruta climatérica, ele continua amadurecendo após a colheita. Temperaturas entre 18°C e 22°C, comuns em fruteiras ou armários abertos, são as mais indicadas.
O calor intenso também é prejudicial. Manter a fruta próxima ao fogão ou exposta ao sol pode acelerar a deterioração das gorduras, gerando sabor de ranço. Nesses casos, a casca pode estragar enquanto o interior permanece duro. Em condições ideais de sombra e frescor, a fruta leva de três a cinco dias para amadurecer.
Para acelerar o processo, Mielke sugere colocar o abacate em um saco de papel pardo junto a uma banana ou maçã. Essas frutas liberam etileno, gás que estimula a maturação. A técnica pode reduzir o tempo de espera para cerca de 48 horas, pois o papel concentra o gás e permite a troca de oxigênio.
A identificação do ponto de consumo deve ser feita pelo toque, pressionando a fruta suavemente com a palma da mão. Se a polpa ceder levemente, está madura. Outro sinal é a coloração verde-clara sob o cabinho; áreas marrons ou rachadas indicam que o alimento passou do ponto e iniciou a fermentação.
A refrigeração é recomendada apenas quando o abacate já está maduro, para desacelerar a deterioração. Após aberto, a metade restante deve ser conservada com o caroço, gotas de limão e coberta com plástico filme para evitar que a polpa escureça.


