O deputado republicano Chuck Edwards, da Carolina do Norte, enviou uma carta de seis páginas aos colegas da Câmara dos Estados Unidos pedindo para não ser censurado por sua conduta com duas assessoras. A votação sobre a punição está prevista para a próxima semana, após relatório do Comitê de Ética da Casa.
Edwards, de 65 anos, desistiu de concorrer à reeleição no dia 5 de agosto. A decisão ocorreu dois dias depois que o Comitê de Ética concluiu que o congressista manteve conduta “persistente, antiprofissional e inapropriada” com as funcionárias. O painel recomendou a censura, que é uma das formas mais severas de repreensão pública no Legislativo.
Na carta datada de 25 de agosto, o parlamentar argumentou que “contexto importa” e que amizades afetuosas, elogios e poemas não configuram má conduta sexual. Ele citou a conclusão do comitê de que não houve atividade sexual, propostas explícitas ou violação da lei federal de assédio sexual, alegando que as evidências foram selecionadas para sustentar uma narrativa.
O relatório do comitê detalha que as duas mulheres, que trabalhavam com Edwards desde que ele era senador estadual, sofreram “atenção cada vez mais incomum”, criando um ambiente desconfortável. O documento lista presentes como joias acima de US$ 1 mil, bolsas de grife, armas, laptops, aspirador robô e viagens, além de jantares individuais.
Segundo a apuração, Edwards chegou a faltar a votações na Câmara para decorar a árvore de Natal de uma assessora, que na época tinha pouco mais de 20 anos. O relatório menciona ainda que o deputado leu um poema escrito para uma das funcionárias durante uma festa de despedida no escritório.
A defesa do parlamentar afirma que as atividades citadas não são proibidas pelas regras da Câmara. No entanto, a parlamentar republicana Kat Cammack, presidente do Caucus de Mulheres Republicanas, afirmou que explicações não mudam o fato de que congressistas detêm poder extraordinário sobre seus funcionários. A deputada democrata Teresa Leger Fernández classificou a carta como “divagações” de alguém que não compreende o assédio sexual.


