O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, fala nesta sexta-feira (28) para economistas e representantes de bancos centrais no simpósio de Jackson Hole, no Wyoming. O discurso ocorre três meses após o início de seu mandato e é aguardado por investidores globais para detalhar a visão do órgão sobre a inflação e a volatilidade nos mercados de títulos.
O mercado busca sinais sobre a trajetória dos juros americanos, especialmente se Warsh manterá a postura de comunicações discretas ou se apresentará um roteiro sobre a inflação elevada. Outras autoridades do Fed têm adotado uma abordagem mais aberta e transparente, contrastando com a relutância do atual presidente em aprofundar detalhes técnicos.
Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, afirmou em entrevista que a taxa de juros atual, na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, não está contendo gastos e investimentos para desacelerar a inflação. Segundo Schmid, a inflação continua persistente e requer novas formas de superação.
A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, declarou que agora é a hora de agir. Já Susan Collins, presidente do Fed de Boston, disse em entrevista que os dados recentes sobre a inflação são contraditórios, mantendo aberta a possibilidade de aumento da taxa de juros.
Adam Posen, presidente do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirmou que Warsh precisa demonstrar disposição para intervir caso a inflação permaneça acima da meta de 2% do Fed. Posen sugeriu que o presidente reconheça as preocupações de seus pares no Comitê Federal de Mercado Aberto.
A discussão sobre um eventual aumento de 0,25 ponto percentual ocorre enquanto as perspectivas de crescimento dos Estados Unidos mostram melhora, após dados de julho indicarem alta nos pedidos de bens duráveis e nos gastos do consumidor. O discurso de abertura começa às 11h, no horário de Brasília.


