A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo pode ter três vezes mais casos do que os 5.713 confirmados oficialmente, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC). A agência alertou que milhares de infecções não foram detectadas devido a falhas no rastreamento de contatos e insegurança em seis províncias do leste do país.
Até 25 de agosto, as autoridades registraram 2.744 mortes. A taxa de letalidade entre os casos confirmados subiu para 48%, superando os 27% registrados dois meses antes. O surto atual, causado pelo vírus Ebola Bundibugyo, ultrapassou 5.700 casos em menos de 15 semanas, superando o recorde anterior do país, que teve 3.310 infecções entre 2018 e 2020.
Kyeng Mercy, chefe da unidade de inteligência epidemiológica do Africa CDC, informou que a proporção de mortes na comunidade caiu nos últimos três dias em áreas com profissionais de saúde mobilizados. No entanto, entre as duas semanas anteriores a 24 de agosto, 63% dos óbitos ocorreram fora de ambiente hospitalar.
A subnotificação é evidenciada pelo fato de que apenas um quinto dos contatos esperados foram identificados nas três semanas que antecederam 25 de agosto. Jean Kaseya, diretora-geral do Africa CDC, declarou que mais de 70% das novas infecções foram detectadas na comunidade e não entre contatos conhecidos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a atenção internacional e os recursos estão aquém da situação. Ele declarou que, embora se saiba como conter a transmissão, é preciso vencer o “vírus da indiferença”.
A resposta financeira mobilizou US$ 867 milhões, mas a distribuição dos recursos para a linha de frente apresenta problemas. Em Haut-Uélé, cinco postos de controle estavam fechados em 25 de agosto por greve de trabalhadores não remunerados. Em Kivu do Norte, a demanda por tratamento excedeu a disponibilidade de leitos.
O governo e parceiros firmaram acordo para pagar US$ 150 mensais a cuidadores comunitários, e 2.800 profissionais de saúde já receberam pagamentos. Nesta quinta-feira (28), começou a vacinação de socorristas em Kisangani, com foco inicial em Tshopo, Bas-Uélé e Haut-Uélé.


