O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passou a atuar como conselheiro nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A estratégia visa influenciar a candidatura sem a exposição pública direta, buscando preservar eleitores que apoiam a reeleição do governador, mas votam no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Tarcísio mantém interlocução com o coordenador da campanha presidencial, Rogério Marinho (PL-RN), para alertar sobre temas que possam gerar desgaste. Recentemente, o governador interveio após Flávio sugerir a revisão do percentual de etanol na gasolina, declaração que causou reação negativa de entidades de biocombustíveis e do agronegócio.
O receio de Tarcísio é que falas do senador prejudiquem sua própria relação com o setor produtivo paulista. Para mitigar o impacto, ambos compareceram juntos à Festa do Peão de Barretos no dia seguinte ao episódio, reforçando a proximidade com o segmento do agronegócio.
Em São Paulo, o governador evita transformar eventos estaduais em palanques presidenciais. A campanha monitora o chamado voto cruzado “TarLula”, utilizando dados de eleições anteriores para identificar regiões onde a associação intensa com Flávio Bolsonaro representaria um risco eleitoral.
Essa postura gerou incômodo entre auxiliares de Flávio, que cobram maior presença do governador nas ruas em um estado considerado decisivo. Apesar disso, as estruturas eleitorais não foram totalmente integradas e a agenda de compromissos conjuntos segue sendo negociada entre as equipes.
A participação de Tarcísio na propaganda eleitoral de Flávio será gradual. O governador deve gravar materiais e aparecer no horário gratuito nas próximas semanas, mas a indicação direta de votos em seu próprio horário eleitoral em São Paulo ocorrerá apenas na reta final da disputa.
O governador é esperado no ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, evento que a campanha presidencial planeja como uma das principais demonstrações de força do primeiro turno.

