A morte do criminoso de guerra serbobósnio Ratko Mladic, ocorrida nesta sexta-feira (28), provocou reações divididas nos Bálcãs. Enquanto na Sérvia o ex-comandante em chefe do Exército da República Srpska é visto como herói, na Bósnia a notícia remete às vítimas de crimes cometidos sob seu comando.
Mladic passou seus últimos momentos na prisão, onde cumpria pena por crimes de guerra. A notícia da morte do militar foi recebida com sentimentos opostos entre as populações da região, refletindo as tensões históricas do conflito.
Na Bósnia, a reação foi de complacência por ter visto o antigo comandante morrer detido. O sentimento predominante entre as vítimas e sobreviventes é de que o falecimento não altera a gravidade dos atos cometidos durante as guerras nos Bálcãs.
Emil Suljagic, diretor do Centro Memorial de Srebrenica e sobrevivente do genocídio ocorrido na cidade, afirmou que a morte do general não traz respostas nem repara os danos causados às famílias das vítimas.
Suljagic declarou que o óbito de Mladic não devolve os mortos, não apaga as fosas comuns nem altera as sentenças judiciais impostas ao militar. Segundo o diretor, a morte não transforma o criminoso em uma figura histórica.

