A defesa de Karina Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a Corte assuma a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. O pedido requer a suspensão imediata do inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo.
A petição argumenta que a Polícia Civil extrapolou a apuração municipal ao investigar aportes financeiros vinculados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Segundo os advogados, esse tema já integra um procedimento sob relatoria de Mendonça no STF, o que atrairia a competência absoluta da Corte Superior.
O caso ganhou relevância após a divulgação de áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitava R$ 61 milhões a Vorcaro para a conclusão da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A defesa sustenta que o delegado do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) admitiu que a origem dos recursos para a produção do longa é um dos objetivos do inquérito.
Paralelamente, a Polícia Civil conduz a Operação Wi-Fi para apurar suspeitas de fraudes e desvios em um contrato de R$ 108 milhões ao ano firmado entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o ICB. A parceria previa a instalação de internet sem fio em comunidades vulneráveis de São Paulo, e a investigação busca saber se verbas desse contrato financiaram o filme.
A articulação ocorre enquanto o ministro Flávio Dino já autorizou a Polícia Federal a acessar provas obtidas pelos investigadores paulistas sobre a Go Up Entertainment. Os defensores de Gama alegam que a manutenção do processo em primeira instância gera risco de medidas cautelares ou denúncia do Ministério Público baseadas em juízo incompetente.


