A inadimplência no crédito consignado para trabalhadores do setor privado com carteira assinada atingiu 10% em julho, o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. O índice, que considera parcelas em atraso há mais de 90 dias, subiu de 8,7% em junho, segundo dados do Banco Central (BC).
O crescimento da inadimplência nessa modalidade ocorre de forma contínua desde novembro do ano passado, quando o percentual era de 5%. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, afirmou que a alta é significativa em termos estatísticos e está acima do padrão observado nas séries de crédito.
O aumento está relacionado à expansão da modalidade após o governo reformular o consignado privado em março do ano passado para ampliar o acesso de trabalhadores CLT. O novo modelo, chamado Crédito do Trabalhador, elevou a média mensal de empréstimos de menos de R$ 1,5 bilhão, em fevereiro de 2025, para R$ 6,6 bilhões entre março de 2025 e julho de 2026.
A taxa permaneceu baixa nos primeiros meses porque as operações só entram na estatística de inadimplência após 90 dias de atraso. Com o tempo, os contratos da fase de expansão atingiram esse prazo. O BC aponta que a desaceleração nas novas concessões este ano também deu mais peso aos contratos inadimplentes no estoque total.
Instituições financeiras ainda ajustam modelos de avaliação de risco para o novo formato, que ampliou o número de tomadores e de bancos ofertantes. Rocha declarou que os dados atuais não permitem determinar em que nível a inadimplência do consignado privado deverá se estabilizar.
O movimento afetou outras linhas de crédito para famílias. A inadimplência geral das pessoas físicas subiu de 5,4% para 5,8% em julho, recorde desde 2011. No crédito livre, o índice passou de 7,4% para 7,8%, enquanto no crédito direcionado avançou de 3% para 3,4%.
A taxa geral do sistema de crédito, que engloba todas as modalidades, subiu de 4,6% em junho para 4,9% em julho, também atingindo o maior patamar da série histórica do Banco Central.


