Hackers de língua russa utilizaram o Cursor, assistente de programação por inteligência artificial da SpaceX, para atacar uma empresa química belga e outras seis companhias no início deste ano. As invasões foram detalhadas em relatórios das empresas de segurança digital Gambit Security e CloudSek, com base em dados de um servidor exposto.
O grupo de ransomware Aur0ra teria persuadido o agente de IA a realizar centenas de operações maliciosas, como roubo de senhas e invasão de contas. Para contornar as travas de segurança da ferramenta, os criminosos alegaram falsamente que as ações faziam parte de uma simulação de teste. A Cursor e a SpaceX não se manifestaram sobre o caso.
Entre as vítimas identificadas estão a fabricante de produtos de higiene belga Christeyns, a alemã de portas de garagem Teckentrup e a Helideck Certification Agency, da Escócia. A onda de ataques também atingiu uma distribuidora farmacêutica argentina, uma empresa italiana e a seguradora de títulos Bayou Title, nos Estados Unidos.
A Gambit Security descobriu a campanha ao analisar 28 sessões de bate-papo entre os hackers e a IA. Registros mostram o assistente fornecendo conselhos técnicos e recomendando softwares maliciosos para explorar vulnerabilidades. O agente de IA seria baseado no modelo Claude Sonnet 4.5, da Anthropic, empresa que também não comentou o episódio.
Eyal Sela, diretor de inteligência de ameaças da Gambit, afirmou que a ferramenta permite que os criminosos ignorem etapas manuais, tornando as invasões entre 30% e 50% mais rápidas. Segundo Sela, os hackers reiniciavam os diálogos para anular as proteções do sistema sempre que o assistente recusava um comando ilegal.
O caso ocorre logo após a SpaceX concluir, no início deste mês, a incorporação da Cursor. Curtis Simpson, diretor de estratégia da Gambit, declarou que as invasões assistidas por IA são o novo normal e que provedores de tecnologia enfrentam uma corrida armamentista contra usuários que buscam burlar medidas de proteção.

