O iFood informou à Secretaria-Geral da Presidência da República, nesta sexta-feira (28), que nenhum entregador da plataforma recebe valor inferior ao salário mínimo nacional, atualmente em R$ 1.621. A resposta ocorre após questionamentos do ministro Guilherme Boulos sobre a remuneração na modalidade Mais Entregas.
A plataforma afirmou em documento que o ganho médio por hora trabalhada em 2025 foi de R$ 29,652. A empresa comparou esse dado ao salário mínimo de R$ 1.518 vigente no ano passado, quando quem cumpriu jornada de 176 horas mensais teria recebido R$ 8,63 por hora.
O impasse começou em 13 de agosto, quando Boulos foi procurado por trabalhadores que criticaram o modelo Mais Entregas. Nessa modalidade, o valor mínimo por entrega varia entre R$ 3 e R$ 3,50, enquanto no modelo Nuvem os valores mínimos são de R$ 7 para bicicletas e R$ 7,50 para motos.
O iFood argumentou que os entregadores do Mais Entregas ganham entre 10% e 30% a mais que no modelo tradicional devido a um pagamento fixo por período, cujo valor não foi revelado. A empresa disse que a adesão é opcional e visa oferecer maior previsibilidade de demanda e remuneração.
A Secretaria-Geral da Presidência declarou em nota que a resposta da empresa é insuficiente. O órgão informou ter recebido centenas de reclamações de trabalhadores alegando que o sistema reduz a remuneração e que quem se recusa a aderir ao novo modelo sofre punições do algoritmo com a redução de pedidos.
No modelo Mais Entregas, o profissional reserva previamente um horário e local de atuação, recebendo mais pedidos em troca de um valor menor por entrega. Já na modalidade Nuvem, o entregador atua em qualquer ponto da cidade. Boulos afirmou em vídeo que o novo sistema faz com que os trabalhadores trabalhem mais e ganhem menos.

