A proibição de doações empresariais e a imposição de limites aos gastos de campanha, estabelecidas em 2015 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Congresso, deram vantagem eleitoral ao Republicanos. Segundo estudo, a estrutura da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) permitiu ao partido compensar a falta de verbas com mobilização religiosa.
A pesquisa indica que a vantagem ocorre devido à presença territorial e à organização centralizada da IURD. Lucas Novaes, professor de Ciência Política do Insper e um dos autores do trabalho, afirmou que a igreja funciona como uma forma de mobilização fora do seio partidário e não depende de financiamento eleitoral para atrair recursos.
O estudo analisou as eleições municipais de 2016, quando tetos de gastos foram definidos com base nos desembolsos da eleição anterior. Em municípios onde o limite foi fixado em R$ 108.039, em vez de R$ 133.700, candidatos do Republicanos tiveram mais incentivos para concorrer, pois adversários não conseguiam custear mecanismos tradicionais, como a contratação de cabos eleitorais.
Maria das Dores Campos Machado, pesquisadora da UFRJ, descreve o Republicanos como um braço político da IURD. A proximidade se manifesta no uso de edifícios da igreja como escritórios de campanha, utilização de gráficas próprias, mobilização de obreiros e divulgação em cultos e mídias religiosas.
A análise aponta que o partido não apenas venceu mais, mas lançou um número maior de candidatos em cidades com restrições financeiras rígidas. O efeito foi mais forte em locais onde as seções eleitorais estavam próximas aos templos. Após 2016, a IURD abriu novas unidades de forma desproporcional nesses municípios.
Claudia Cerqueira, cientista política, classifica a relação entre a igreja e o partido como quase corporativa, com gestão verticalizada. Essa estrutura diferencia o Republicanos de outras siglas ligadas a evangélicos, como o antigo Partido Social Cristão (PSC), que possuía uma base fragmentada na Assembleia de Deus.
Para Novaes, o reforço na base municipal pode refletir em maior apoio a candidatos ao Congresso Nacional. O crescimento da sigla também inclui lideranças externas à IURD, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, filiado ao partido em 2022.


