O mercado de trabalho formal abriu 58,6 mil vagas em julho, metade das 115 mil projetadas para o período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta sexta-feira (28). O resultado indica, para economistas, uma perda de fôlego na atividade econômica brasileira.
André Valério, economista sênior do Inter, afirmou que este foi o pior desempenho para um mês de julho desde 2019 e o resultado mais fraco desde dezembro de 2025. João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre, explicou que as empresas estão mais prudentes diante de uma demanda que começa a se estabilizar ou cair.
O setor de comércio registrou saldo negativo de 2.056 postos. A consultoria 4intelligence atribui a retração ao encarecimento do crédito devido aos juros elevados, além do avanço do e-commerce e da expansão das apostas esportivas. Na contramão, o setor de serviços liderou as contratações com 24.098 postos, seguido pela construção civil, agropecuária e indústria.
No acumulado do ano, foram gerados 972 mil postos de trabalho. Leonardo Costa, economista do ASA, avalia que o mercado segue resiliente, embora em processo gradual de arrefecimento. Regionalmente, a região Sul foi a única a registrar saldo negativo no mês.
A frustração com os números reacende expectativas sobre a taxa de juros. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, disse que os dados podem aumentar as apostas para uma queda de 0,25 p.p. na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim de setembro. O Inter projeta que a Selic possa chegar a 13,25% até dezembro.
Rodolfo Margato, economista da XP, afirmou que o cenário corrobora a iminência de estagnação, com projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de zero no segundo semestre. A XP estima que a média de criação de vagas caia de 110 mil mensais, em 2025, para 80 mil em 2026.
Os desligamentos subiram 1,5% na comparação mensal. O salário médio de admissão teve alta de 0,2% em relação ao mês anterior e de 2% no comparativo anual.


