Um novo tratamento experimental, desenvolvido por pesquisadores dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, reduziu os níveis de colesterol LDL durante pelo menos um ano por meio de uma única infusão. Os resultados do estudo inicial foram publicados nesta sexta-feira (28) na revista New England Journal of Medicine.
A técnica utiliza nanopartículas lipídicas para transportar tecnologia de edição genética ao organismo. O objetivo dos cientistas é desativar o gene ANGOTL3, que atua no metabolismo do colesterol. No estudo, 15 voluntários receberam diferentes concentrações da substância.
Quatro pacientes que receberam a dose mais elevada apresentaram redução de aproximadamente 50% nos níveis de triglicerídeos e de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. O efeito foi mantido durante todo o primeiro ano de acompanhamento, embora os pesquisadores informem que os benefícios podem durar mais tempo.
A estratégia tenta solucionar a baixa adesão aos tratamentos convencionais. Segundo a comunidade médica, metade dos pacientes abandona a ingestão diária de remédios, já que a condição costuma provocar poucos sintomas. A Federação Mundial do Coração aponta que o colesterol alto causa cerca de 4,4 milhões de mortes anuais no mundo.
A pesquisa entrará em uma nova etapa com algumas dezenas de pacientes, com resultados previstos para o fim do ano. Caso os dados sejam positivos, o projeto avançará para um estudo de fase 3, com mais participantes, para determinar a segurança e a eficácia do uso amplo.
Devido ao uso de edição genética, os pacientes precisam de monitoramento por pelo menos 15 anos. A equipe responsável trabalha com a expectativa de que o tratamento seja aprovado para a população geral a partir de 2030.


