O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou nesta sexta-feira (28) que a mineradora enfrenta dificuldades para avançar em novos empreendimentos devido à escassez de engenheiros e de empresas de engenharia fortalecidas. A declaração foi feita durante evento do grupo de líderes empresariais Lide.
Pimenta descreveu a dificuldade em formar novos líderes e profissionais de engenharia como uma “dor” da companhia, classificando a falta de capacitação como o calcanhar de Aquiles da indústria atual. Para mitigar o problema, a empresa tem estabelecido parcerias com faculdades e escolas técnicas.
O cenário de carência de pessoal ocorre enquanto a Vale acelera seu pipeline de crescimento. No ano passado, a mineradora anunciou dois pacotes de investimentos de R$ 70 bilhões cada até 2030: um destinado ao Programa Novo Carajás, para expandir a produção de cobre e minério de ferro, e outro voltado aos ativos em Minas Gerais.
A escassez de profissionais internos levou a companhia a contratar engenheiros fora do Brasil. O executivo afirmou que a medida não é adequada e que a empresa deveria ser capaz de suprir a demanda com recursos nacionais.
Segundo Pimenta, o setor de mineração precisa tornar a “indústria real” mais atrativa para estudantes jovens. Em evento realizado em Brasília neste mês, ele defendeu que o país deve retomar megaprojetos de mineração entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões, afirmando que a Vale possui capital para tais investimentos.
O CEO também declarou estar otimista com a possibilidade de um decreto sobre cavidades no setor. A medida poderia agilizar o licenciamento ambiental e liberar novos aportes financeiros na atividade minerária.


