A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o uso do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, para reduzir o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 que apresentam alta probabilidade de desenvolver essas complicações.
O fármaco já possuía autorização nos Estados Unidos para o controle da glicose em adultos e crianças a partir de 10 anos com diabetes tipo 2. A nova indicação é restrita a adultos com alto risco cardiovascular e não caracteriza o medicamento como preventivo para a população geral.
A decisão foi fundamentada no estudo clínico SURPASS-CVOT, que acompanhou 13.299 adultos com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica em 640 centros de pesquisa em 30 países. Durante quatro anos, o Mounjaro foi comparado ao Trulicity, medicamento à base de dulaglutida.
Os resultados indicaram que o Mounjaro apresentou uma taxa 8% menor de eventos cardiovasculares graves em relação ao Trulicity. A pesquisa também registrou que a taxa de morte por todas as causas foi 16% menor entre os pacientes que utilizaram a tirzepatida.
A substância atua nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1, que controlam a glicose, a insulina e a saciedade. O medicamento é administrado por injeção subcutânea semanal. Nos Estados Unidos, a mesma substância é vendida sob a marca Zepbound para controle crônico de peso.
Entre os efeitos adversos relatados estão reações gastrointestinais de intensidade leve ou moderada. Riscos mais graves incluem pancreatite, hipoglicemia em combinações medicamentosas, reações alérgicas e alterações na vesícula. O uso é contraindicado para pessoas com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 ou histórico de carcinoma medular da tireoide.
No Brasil, qualquer mudança na indicação do medicamento depende de avaliação e autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


