Policiais militares da Rota, tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, deixaram a unidade para atuar na segurança de empresários da Transwolff, empresa de transporte coletivo investigada por conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A acusação indica que os agentes não faziam apenas a proteção dos executivos e a vigilância de garagens. Eles teriam sido utilizados em tarefas particulares, como buscar a babá do filho de um dirigente e transportar crianças para a escola. O Ministério Público afirma que a presença de policiais da Rota servia para transmitir uma imagem de proteção institucional aos empresários.
Entre os investigados está Alexandre Aleixo Romano Cezário. Segundo a denúncia, ele realizou consultas no sistema Muralha Paulista sobre os sócios da empresa, Robson e Gilberto Flares Lopes Pontes, identificando que um deles já havia sido preso por tráfico de drogas. Romano teria solicitado transferência da Rota para continuar trabalhando para os empresários após o comando da unidade determinar a interrupção do serviço.
O sargento da reserva Nereu Aparecido Alves também é citado como responsável por transportar dinheiro da empresa entre as garagens e a região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na Zona Sul de São Paulo. Nereu teria buscado a babá de Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff, e transportado crianças.
Em ação realizada em fevereiro, a Corregedoria da Polícia Militar encontrou R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo na residência de Nereu. O montante estava dividido em maços de notas de R$ 100 e R$ 200. Como não foram encontrados registros bancários ou fiscais que comprovassem a origem da quantia, o sargento foi denunciado por lavagem de dinheiro.
Mensagens obtidas pela investigação indicam que Nereu recebia instruções para separar o “dinheiro dos meninos”, termo usado para os pagamentos destinados aos policiais. O sargento teria distribuído valores aos agentes e recebido ordens para realizar um depósito de R$ 29 mil.

