A perda gestacional precoce, ou aborto espontâneo, atinge cerca de 10% das gestações clinicamente reconhecidas, concentrando-se majoritariamente antes das 13 semanas. O tema ganhou visibilidade após o anúncio de que Gabriel Medina e Isabella Arantes interromperam a primeira gravidez quando a bailarina estava com três meses.
O primeiro trimestre é a fase de maior vulnerabilidade devido à intensa formação e desenvolvimento embrionário. Segundo o obstetra e ginecologista Paulo Noronha, alterações que impedem a evolução normal desse desenvolvimento levam o organismo a interromper a gestação. Do ponto de vista médico, a ocorrência é comum, mas o impacto emocional para a família é particular e profundo.
Aproximadamente metade das perdas precoces está associada a alterações cromossômicas que surgem ao acaso durante a formação do embrião, de acordo com o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). O médico Paulo Noronha informou que esse processo é espontâneo e, na maioria das vezes, não possui ligação com comportamentos ou decisões da gestante.
O obstetra e ginecologista César Patez explicou que uma perda isolada não significa necessariamente a existência de doenças no casal. Ele afirmou que atividades cotidianas, como a prática de exercícios físicos, relações sexuais, trabalho ou estresse emocional, não são consideradas causas de aborto espontâneo na maioria dos casos.
Existem, contudo, fatores clínicos que podem ser monitorados durante o pré-natal. A ginecologista e obstetra Núbia Fontes citou doenças autoimunes, alterações da tireoide, diabetes mal controlado, infecções e condições anatômicas do útero como pontos de atenção. A médica ressaltou que o acompanhamento serve para intervir quando necessário, diferenciando esses riscos de diagnósticos que surgem posteriormente, como o diabetes gestacional.


