A Justiça de São Paulo antecipou os efeitos do pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, garantindo proteção contra a execução de dívidas por 180 dias. A medida visa evitar o desfalque patrimonial da varejista, que tenta reestruturar um passivo de R$ 17,3 bilhões e relatou a ocorrência de uma corrida de credores.
A decisão da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, retroage ao dia 19. A magistrada determinou que o banco BTG Pactual restabeleça o acesso da companhia às contas correntes em 24 horas. As operadoras de maquininhas Cielo, Getnet e Redcard devem apresentar demonstrativos de recebíveis retidos e liberar os valores.
No pedido, a empresa afirmou que R$ 9 milhões foram bloqueados em poucos dias após a divulgação do processo. A varejista argumentou que a situação gerou um risco iminente de desfalque em seu patrimônio, motivando a necessidade de proteção judicial imediata.
A companhia concentra esforços na manutenção de estoques e na continuidade das operações para manter as lojas abertas. Segundo a apuração, fornecedores suspenderam entregas de mercadorias e passaram a exigir pagamento à vista, alterando o modelo anterior, em que os prazos variavam entre 45 e 90 dias.
Há relatos de ações de despejo em imóveis alugados onde a empresa mantém unidades. Fontes próximas à varejista informaram que a preocupação de fornecedores tem restringido o fluxo de mercadorias para a rede.
Além dos R$ 17,3 bilhões listados na recuperação, a Casas Bahia possui outros R$ 11 bilhões em débitos extraconcursais. Esses valores, devidos a bancos, fundos de investimento e fornecedores de eletrodomésticos, não estão sujeitos ao processo de recuperação judicial por lei, o que torna a reestruturação mais complexa.

