Pesquisadores brasileiros publicaram, no dia 4 deste mês, os resultados de um estudo piloto com a molécula polilaminina em oito pacientes com lesão medular espinhal. O artigo, veiculado pelo periódico Spinal Cord, da Sociedade Internacional de Medula Espinhal, adota uma abordagem mais cautelosa sobre a eficácia do tratamento do que a versão preliminar divulgada em 2024.
A publicação em revista revisada por pares ocorreu após o manuscrito ter sido rejeitado por três periódicos anteriores. A divulgação prévia dos dados em formato de pré-print, sem avaliação técnica independente, havia sido alvo de críticas de outros especialistas.
No texto de 2024, os autores descreviam a recuperação motora dos participantes como um resultado sem precedentes e sugeriam a eficácia da terapia. Já a versão atual foca na segurança e na viabilidade do tratamento, classificando os resultados neurológicos como exploratórios.
O artigo afirma que o desenho do estudo não foi planejado para medir a eficácia da intervenção. Os desfechos neurológicos foram analisados como objetivos secundários para orientar o planejamento de estudos prospectivos maiores, segundo o texto.
A nova versão indica que a ausência de um grupo controle impede qualquer inferência causal. O documento também corrige erros da versão anterior e altera a discussão sobre o choque medular, quadro de perda temporária de movimentos comum em traumas na medula.
Na conclusão, os autores afirmam que as melhoras observadas justificam investigações adicionais em estudos clínicos maiores. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a fase 1 de estudos clínicos em janeiro, mas o processo ainda não começou.
A pesquisa é liderada por Tatiana Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


