Uma inundação repentina no Tibete e no Nepal deixou centenas de mortos e milhares de desaparecidos neste sábado (29). A tragédia foi provocada pelo colapso de uma massa de gelo, fenômeno classificado como GLOF, que ocorre quando lagos glaciares transbordam devido ao aumento das temperaturas globais.
O evento expõe a vulnerabilidade de populações que residem em regiões de cordilheiras com glaciares. Segundo a apuração, cerca de 15 milhões de pessoas no mundo vivem sob a ameaça desse tipo de inundação, com a metade desse total concentrada em quatro países: Peru, Índia, China e Paquistão.
As riadas provocadas por esse mecanismo multiplicaram-se por seis no último século. O aquecimento do planeta impulsiona a instabilidade de massas de gelo em grandes cadeias montanhosas, como os Andes, os Alpes e o Himalaia.
O monitoramento de glaciares e lagunas é complexo, especialmente em nações em desenvolvimento, mas é a ferramenta principal para a prevenção de mortes. A detecção precoce permite a retirada de populações de áreas de risco antes do desastre.
No ano passado, a eficácia desse controle foi observada na Suíça. Um povoado foi evacuado dois dias antes do colapso de um glaciar, evitando a perda de vidas humanas.

