A Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos (Nasa) lança, neste domingo, o telescópio espacial Roman. O projeto contará com o Arandu, um sistema de inteligência artificial desenvolvido por pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) para classificar fenômenos astronômicos e organizar o volume de dados do observatório.
O software foi criado pelo Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), do CBPF. A tecnologia cruzará as observações do telescópio com informações anteriores para indicar aos astrônomos os eventos mais relevantes para estudo, eliminando a necessidade de análise manual de cada detecção.
O Arandu, termo que significa sabedoria em tupi-guarani, foca em eventos transitórios ou variáveis, como oscilações no brilho de estrelas e explosões estelares. Segundo Clécio Roque De Bom, professor do CBPF e coordenador científico do LAB-IA, a ferramenta permitirá que a comunidade científica reaja rapidamente a mudanças no universo.
O telescópio Roman utiliza uma câmera infravermelha de 300 megapixels e possui campo de visão ao menos 100 vezes maior que o do Hubble. A Nasa informou que o equipamento poderá capturar imagens de uma área do céu 1,5 vez maior que o tamanho aparente da Lua cheia, com as primeiras imagens previstas para o início de 2027.
O equipamento também dispõe de tecnologia para bloquear o brilho de estrelas, facilitando a observação de luz refletida por planetas antigos e frios. Os objetivos da missão incluem o mapeamento de bilhões de galáxias, o estudo de buracos negros e a investigação da energia e matéria escuras.
Após a separação do foguete, o telescópio seguirá para o segundo ponto de Lagrange Sol-Terra (L2), localizado a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, região onde já opera o James Webb. A missão tem vida útil inicial de cinco anos, com a meta de operar por dez anos.


