Crianças em creches bilíngues iniciam o aprendizado de um segundo idioma antes mesmo de dominarem o português. Em algumas instituições, a comunicação com bebês de um a três anos é feita integralmente em inglês, aproveitando a fase de maior receptividade do cérebro para sons e estruturas linguísticas novas.
Nas turmas de um a três anos, 100% do dia é conduzido em inglês. A aprendizagem ocorre de forma natural e lúdica, simulando a aquisição da língua materna por meio de situações reais do cotidiano. A partir dos 4 anos, o português é incorporado progressivamente, podendo chegar a uma divisão equilibrada de 50% para cada idioma, explicou Gabriela Pinsdorf, especialista acadêmica na Maple Bear Brasil.
Para Pinsdorf, existe uma “janela de oportunidade” na primeira infância, período em que o cérebro está mais sensível a significados novos. O desenvolvimento da segunda língua ocorre por meio de interações, brincadeiras e rotinas, segundo Marcello Marcelino, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e cofundador da Red House.
Marcelino afirmou que a compreensão costuma se desenvolver antes da fala e que cada criança possui seu próprio ritmo. Segundo o professor, o sucesso do aprendizado não depende de um percentual fixo de horas, mas da função da língua no ambiente. O inglês deve estar presente em atividades de investigação, resolução de problemas e alfabetização, sem ficar restrito a aulas isoladas.
A educação infantil é dividida entre a creche, para crianças de 0 a 3 anos, e a pré-escola, para as de 4 e 5 anos, que é obrigatória por lei. Instituições como a Maple Bear, no Rio de Janeiro, e a Red House International School, em São Paulo, adotam esse modelo de ensino.
A apuração indica que a escolha de escolas deve considerar critérios como a média de alunos por professor. Uma resolução de 2024 do Conselho Nacional de Educação (CNE) estabelece limites para garantir a interação, como o máximo de cinco bebês de até 12 meses por educador e até 20 crianças de 4 e 5 anos por profissional.


