Uma torrente de lama atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete na última quarta-feira (26), resultando na morte de mais de 580 pessoas e no desaparecimento de 1.900. O fenômeno, provocado pelo desmoronamento de um bloco de gelo, teve força suficiente para ser registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) monitorou a intensidade do impacto. Com a passagem da lama, a preocupação agora se volta para a saúde dos moradores da região, que podem contrair a bactéria Leptospira ao entrar em contato com os rejeitos sem equipamentos de proteção, como botas.
A bactéria, hospedada principalmente em ratos e roedores, causa a leptospirose. A doença se manifesta por meio de febre alta, diarreia, calafrios, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos e dor muscular, com forte incômodo nas panturrilhas.
Além da leptospirose, a água contaminada pode transmitir cólera, febre tifoide, hepatite A, giardíase, amebíase, esquistossomose e gastroenterites diarreicas. O Ministério da Saúde alerta que eventos traumáticos dessa natureza também podem provocar sofrimento psíquico e evoluir para transtornos de estresse pós-traumático (TEPT).
Um estudo do Instituto de Saúde e Sustentabilidade sobre o rompimento da barragem da Samarco, em 2015, em Mariana, indicou que o contato com lama causou sintomas como tosse, coceira, ansiedade e alergias de pele. O documento observa que, naquele caso, os rejeitos continham dejetos químicos de mineração.

