Ressacas potentes e o avanço do mar destruíram casas e expulsaram a maioria dos moradores da comunidade Fronteira, em Macaé, no Norte Fluminense. A situação se agravou a partir de 2024, resultando na perda da Avenida Beira-Mar e na transformação da vila de pescadores em um cenário de imóveis abandonados e ruínas.
Novas invasões de água ocorreram nesta semana, com imagens de ruas alagadas. Uma barreira de pedras, instalada anteriormente ao longo da costa para conter a ressaca, não tem sido suficiente para proteger as residências. Moradores relatam que a força das ondas chega a fazer casas de três andares tremerem.
Uma mulher de 58 anos, que trabalha como catadora de recicláveis, ocupa há três meses uma casa abandonada na beira-mar. Ela relatou que a força da água a jogou longe durante a última quarta-feira e que o imóvel, sem energia elétrica, apresenta reboco caindo e paredes úmidas.
Um homem de 58 anos, ex-vigilante desempregado desde 2024, também ocupa uma residência na localidade. Ele afirmou que a situação é crítica e que muitas pessoas partiram, restando no local apenas aqueles que não possuem condições financeiras de se mudar.
O pedreiro Odilon Soares, de 38 anos, permanece no imóvel para evitar a invasão da casa, embora sua família tenha se mudado recentemente. Ele descreveu a perda dos quiosques e das quadras de futebol que existiam na rua principal da comunidade.
A Prefeitura de Macaé informou que acompanha a situação da Fronteira, região afetada historicamente por erosão costeira. O município declarou que a Defesa Civil monitora as áreas vulneráveis e que a maioria dos imóveis atingidos nesta semana já estava interditada.
Atualmente, 270 famílias recebem aluguel emergencial e cerca de 30 são atendidas por auxílio emergencial. A prefeitura disse que mantém o Programa de Compra Assistida para a realocação definitiva de famílias que vivem em áreas de risco e que seis novas famílias foram atendidas na última quarta-feira.


