O mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo registra mudanças geográficas, com a região da Santa Cecília apresentando alta de 116,4% nas vendas de imóveis acima de R$ 3 milhões no primeiro semestre de 2026, enquanto o bairro de Pinheiros apresenta queda de 25% no volume financeiro movimentado.
Um estudo da proptech Pilar, baseado em 342 mil registros de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) entre janeiro de 2025 e junho de 2026, aponta que a Santa Cecília movimentou R$ 154 milhões no semestre. O número de transações na região subiu de 14 para 27, colocando o bairro entre os 12 maiores mercados de luxo da capital.
Renato Zimmermann, fundador e CEO da Zimmermann Imóveis, explica que parte desse crescimento ocorre porque imóveis próximos à Avenida Angélica e Rua Veiga Filho são estatisticamente classificados como Santa Cecília, embora o mercado os perceba como Higienópolis. Ele afirma que a expectativa pela nova sede do governo do Estado nos Campos Elíseos, com investimento de R$ 6 bilhões, atrai investidores para a região.
A Vila Nova Conceição manteve a liderança do setor, movimentando R$ 853 milhões no período, alta de 46,6% em relação ao ano anterior. No Itaim Bibi, o volume financeiro subiu 21,6%, chegando a R$ 674 milhões, impulsionado pelo aumento do ticket mediano, que saltou de R$ 4,6 milhões para R$ 5,75 milhões.
O Jardim América subiu para a terceira posição do ranking ao movimentar R$ 562 milhões, crescimento de 430,8%. O resultado foi influenciado pela venda de uma residência na Rua México por R$ 230 milhões, a maior transação registrada na base de dados da Pilar.
Em contrapartida, Pinheiros apresentou recuo de 14,6% no número de transações e queda de 16,1% no ticket mediano. Zimmermann classifica o cenário como uma saturação absoluta de produto, argumentando que a mudança no perfil do bairro e o excesso de lançamentos reduziram a atratividade para o público de altíssima renda.

