Macaé, no Norte do Rio, registra um crescimento urbano horizontal acelerado que alterna áreas de classe média e bolsões de pobreza extrema. Enquanto a produção de petróleo impulsiona a economia, bairros como Ajuda de Baixo e a comunidade Fronteira enfrentam a falta de serviços básicos e a destruição de moradias pelo avanço do mar.
O bairro Ajuda de Baixo apresenta um cenário de expansão desordenada. No Bosque Azul, favela da região, novos moradores convivem com a ausência de saneamento básico e iluminação pública, além de ruas de chão batido que alagam durante as chuvas. Um assistente de manutenção de 36 anos, residente no local há dois anos, relatou a infestação de mosquitos e a precariedade da infraestrutura.
Ao lado, o sub-bairro Verdes Mares segue ritmo diferente, com sobrados estruturados e ruas asfaltadas. A chegada de novos moradores, intensificada após a pandemia, estimulou a abertura de comércios locais, como barbearias e hortifrutis, segundo um comerciante de 74 anos que reside na área há uma década.
Na comunidade Fronteira, antiga vila de pescadores, o cenário é de terra arrasada. Ressacas potentes, agravadas a partir de 2024, destruíram casas e engoliram a Avenida Beira-Mar. Uma barreira de pedras instalada anteriormente não foi suficiente para conter as águas. Atualmente, a região é marcada por imóveis abandonados e ruínas.
Moradores sem condições financeiras permanecem em casas insalubres e sob risco de desabamento. Uma catadora de recicláveis de 58 anos e um ex-vigilante de 58 anos relataram ocupar imóveis abandonados na beira-mar por não terem onde morar. Outros residentes deixaram o local após receberem aluguel social da prefeitura.
A Prefeitura de Macaé informou que a região da Ajuda passou por processos de urbanização, incluindo a implantação de conjuntos habitacionais e infraestrutura de esgoto. O município afirmou que realiza a identificação e selagem de imóveis, além de demolições para impedir novas ocupações em áreas de risco.
Sobre a comunidade Fronteira, a administração municipal declarou que a maioria dos imóveis atingidos recentemente já estava interditada. Atualmente, 270 famílias recebem aluguel emergencial e cerca de 30 são atendidas por auxílio emergencial na localidade.


