A rosa-do-deserto (Adenium obesum), planta amplamente utilizada em jardins no Brasil, produz uma seiva branca tóxica capaz de afetar o funcionamento do coração. A substância pode provocar alterações perigosas nos batimentos cardíacos, vômitos, visão turva e, em grandes quantidades, levar ao risco de morte.
A toxicidade está concentrada principalmente nas sementes, raízes e na seiva leitosa liberada quando a planta é machucada. O perigo reside nos glicosídeos cardíacos, compostos que alteram o ritmo do coração. Embora versões sintéticas desses componentes sejam usadas em tratamentos médicos, a ingestão da planta pura é perigosa.
A espécie pertence à família Apocynaceae, grupo conhecido por produzir látex e substâncias que impactam o organismo. A planta possui tronco largo e arredondado, que pode chegar a 2,4 metros de largura, funcionando como reservatório de água para sobreviver em climas áridos, como os da ilha de Socotra, no Iêmen.
Animais domésticos também correm riscos. Um caso documentado envolveu uma arara-canindé que, após comer a flor da planta, precisou de 12 dias de tratamento veterinário para se recuperar. Por outro lado, a lagarta da mariposa Syntomeida epilais se alimenta das folhas sem ser afetada.
No norte da Tanzânia, o povo hadza utiliza partes da planta como veneno para flechas na caça de búfalos, zebras e girafas. A espécie também é usada tradicionalmente para envenenar peixes e controlar pragas em diversas regiões.
Um estudo de 2024 catalogou usos medicinais tradicionais para tratar ferimentos, dores de ouvido e malária, embora a eficácia não tenha sido confirmada. Pesquisadores já identificaram dezenas de substâncias na planta, incluindo 53 analisadas anteriormente, algumas com potencial ação antioxidante e contra células cancerígenas, mas com toxicidade confirmada.

