A corrida corporativa pela inteligência artificial (IA) avança sem que as empresas definam regras básicas de uso e capacitação para as equipes. Segundo a pesquisa RH Digital & IA 2026, realizada pela plataforma Alina, 86% das organizações consideram prioridade ampliar a tecnologia em 2026, mas apenas 29% possuem políticas claras sobre sua utilização.
O descompasso entre o incentivo e o preparo é evidenciado pelos dados: 75% das empresas incentivam os colaboradores a usar a IA, porém apenas 39% afirmam que os funcionários sabem identificar onde e como aplicar a ferramenta. Apenas 10% dos entrevistados avaliam que suas equipes detêm conhecimento avançado para conduzir os processos de informatização.
A falta de investimento em capacitação é apontada por 63% das empresas como a principal barreira à adoção. Atualmente, só 43% oferecem treinamento específico em IA. O cenário é reforçado por levantamento da Hashtag Treinamentos com 5.569 profissionais, no qual 20,6% perceberam investimento claro em IA nas organizações, enquanto 20,4% relataram ter as ferramentas disponíveis, mas sem o devido treinamento.
Marcel Hwa, CEO da Alina, afirmou que é preciso transformar a prioridade declarada em políticas efetivas para orientar o uso e estabelecer critérios de aplicação. Hwa explicou que existe uma diferença entre disponibilizar a tecnologia e criar condições para que ela gere resultados reais em atividades analíticas e de planejamento de RH.
Globalmente, a tendência de baixa produtividade imediata é corroborada por estudo de Nicholas Bloom, da Stanford Graduate School of Business. A pesquisa com 6 mil executivos indica que, apesar da disseminação da IA, os ganhos médios projetados são de apenas 1,4% em produtividade e 0,8% em produção. Um quarto dos líderes pesquisados declarou não utilizar nenhuma ferramenta de IA no trabalho.
No Brasil, a digitalização do RH ocorre em ritmos diferentes. Processos de folha de pagamento e controle de ponto possuem índice de digitalização de 3,3 em uma escala de 1 a 5. Já as simulações de mudanças na estrutura organizacional registram apenas 1,8, indicando que a automação de tarefas repetitivas avançou mais do que a digitalização de atividades que exigem análise e apoio a decisões.


