Goiás confirmou 83.889 casos de dengue no primeiro semestre de 2026, alta de 8,9% em comparação ao mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, as notificações de chikungunya saltaram de 2.134 para 10.416 registros, um aumento de 388%, segundo dados do Painel de Arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).
O cenário é atribuído a temperaturas elevadas, estiagem prolongada e a mudança na circulação de sorotipos, com destaque para o avanço do DENV-3. O secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos, informou que o estado registra há mais de três semanas temperaturas acima de 34°C e umidade do ar inferior a 20%. A SES-GO explica que o calor reduz o ciclo de desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti de dez para cinco dias.
A vigilância genômica indica que o DENV-3, praticamente ausente entre 2011 e 2023, teve 4.127 testes positivos em 2026, superando os 3.523 registros do DENV-2. O epidemiologista João Bosco Siqueira Junior afirma que a falta de contato prévio com esse sorotipo, especialmente em crianças e jovens nascidos após 2010, contribui para o quadro. Menores de 14 anos representam 17% das infecções do estado.
Em Goiânia, a prefeitura iniciou em 25 de agosto a instalação de 15 mil armadilhas biológicas para conter a alta de 19,4% nos casos de dengue e 609% nos de chikungunya na capital. A cidade lidera os registros absolutos com 1.793 casos. Outras cidades, como Perolândia, Edéia e Mineiros, estão na faixa vermelha de incidência, com mais de 300 casos por 100 mil habitantes.
A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, declarou que a doença não ficou restrita ao período chuvoso este ano. Para combater o avanço, o estado utiliza o Método Wolbachia em cidades como Valparaíso, Luziânia, Aparecida de Goiânia, Trindade e Anápolis. A SES-GO também estrutura um Plano Estadual de Emergência e Contingência para 2026-2027, visando a preparação de 246 municípios.


