Um ataque de drone russo a um armazém de munições no distrito de Bucha, a oeste de Kiev, matou ao menos 37 pessoas após provocar uma explosão na noite de sexta-feira (28). O incidente ocorreu no vilarejo de Myla, a menos de cinco quilômetros da periferia da capital ucraniana, enquanto a cidade enfrentava o terceiro dia consecutivo de ofensivas aéreas.
O presidente Volodimir Zelenski informou que dezenas de pessoas ficaram feridas e mais de 370 foram removidas da área. O impacto atingiu infraestruturas próximas, incluindo uma instituição de acolhimento para idosos e pessoas com deficiência. Segundo o governador da região de Kiev, Tymur Tkachenko, a explosão se alastrou por casas e danificou pelo menos 50 edifícios residenciais.
O depósito pertencia às Forças Armadas ucranianas e armazenava projéteis, drones e minas em grande escala. Zelenski afirmou que processos criminais por negligência já foram abertos, alegando que existem regras que proíbem o armazenamento de munição perto de áreas residenciais. O líder ucraniano declarou que os responsáveis pelas decisões que permitiram a situação serão punidos.
A Rússia ampliou a utilização de mísseis balísticos e drones a jato, como o modelo Banderol, para dificultar a interceptação. Zelenski relatou que nove regiões foram alvo de ataques noturnos, com mais de 260 drones operando em todo o país. No sábado (29), uma menina de 14 anos morreu em Boryspil e uma criança de dois anos morreu em Kiev, atingida por um drone abatido, conforme informou o prefeito Vitali Klitschko.
O governo ucraniano tenta aumentar a frequência de seus próprios ataques de longo alcance contra a Rússia, com a meta de atingir mil lançamentos de drones por dia. Atualmente, a média é de 300 ataques. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter destruído 313 drones ucranianos na última noite. Na região de Rostov, ataques de drones feriram 11 pessoas, incluindo quatro crianças.
Em paralelo, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alertou que a usina nuclear de Zaporíjia pode enfrentar um apagão em dez dias. O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, explicou que a usina está sem energia externa há mais de uma semana e depende de geradores a diesel, cujos estoques de combustível estão diminuindo.


