O governo do presidente Donald Trump atua discretamente há mais de um ano para transferir uma faixa de cerca de 400 metros do Parque Nacional de Yosemite para uma empresa ligada à Kingsbarn Realty Capital. A iniciativa, revelada por apurações da imprensa, visa permitir a construção de uma estrada de acesso privado.
A Kingsbarn, gestora de fundos de private equity imobiliário sediada em Las Vegas, controla por meio de uma sociedade de responsabilidade limitada um terreno de 33 hectares nos arredores do parque. O CEO da empresa, Jeff Pori, pretende conectar a propriedade a uma das vias de Yosemite. Em troca, o Serviço Nacional de Parques receberia um terreno de valor equivalente em local ainda não definido na Califórnia.
O Departamento do Interior, órgão que comanda o Serviço Nacional de Parques, negou em comunicado a existência de pressão política para o acordo. A pasta afirmou que qualquer proposta de troca de terras estaria sujeita a leis federais, regulamentos e processos de notificação pública, informando que nenhuma decisão final foi tomada.
Registros eleitorais indicam que Pori fez doações frequentes ao Comitê Nacional Republicano e a grupos de arrecadação alinhados a Trump. A Kingsbarn não comentou o negócio. A iniciativa ocorre após o governo reduzir em mais de 90% duas áreas protegidas em Utah em julho e derrubar normas contra a exploração madeireira em florestas nacionais em agosto.
A Associação de Conservação de Parques Nacionais classificou a operação como um “ataque” ilegal. Mark Rose, gerente sênior da organização na região de Serra Nevada, disse que o governo tenta desmantelar o legado de conservação dos Estados Unidos. O sindicato dos funcionários do Serviço Nacional de Parques em Yosemite também declarou oposição à cessão de terras públicas para interesses privados.
Um projeto semelhante, proposto por um proprietário anterior do terreno de 33 hectares, foi rejeitado nos governos de George W. Bush e Barack Obama, além de ter sido barrado pela Justiça. O senador Adam Schiff, representante da Califórnia, afirmou que a administração é obstinada em seguir com o projeto apesar da oposição do Congresso e do Judiciário. O senador Alex Padilla também informou que trabalha para barrar a medida.

