O uso de ferramentas digitais de monitoramento e a adoção de novos fármacos podem aumentar a eficácia do tratamento contra o colesterol LDL, conhecido como “ruim”. Um estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com a Novartis e a epHealth, revelou que a sistematização do cuidado melhora a adesão de pacientes com alto risco cardiovascular.
O ensaio clínico SAPPHIRE-LDL acompanhou 1.465 pacientes em 28 centros de pesquisa no Brasil. Metade do grupo utilizou a plataforma epScience, para médicos, e o aplicativo epYou, para pacientes. Após seis meses, a concentração média de LDL-C foi de 76,3 mg/dL no grupo de intervenção, contra 85,6 mg/dL no grupo de controle. A probabilidade de atingir a meta de 50 mg/dL subiu para 23,5%, enquanto no grupo usual foi de 13,4%.
A neurologista Maria Julia Machline-Carrion, pesquisadora da epHealth, afirmou que a distância até a meta não é biológica, mas organizacional. Segundo a cardiologista Karla Espirito Santo, do Einstein, a baixa porcentagem de pessoas que atingem o alvo ocorre porque terapias modernas ainda não estão disponíveis para a maioria da população.
Atualmente, o tratamento baseia-se em estatinas, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, fármacos mais potentes, como os inibidores de PCSK9 (evolocumabe e inclisirana), não são oferecidos pelo governo e podem custar mais de R$ 1.000 por mês no setor privado. A Agência Nacional de Saúde Suplementar não aprovou a incorporação desses remédios pelos planos de saúde.
Uma alternativa pode surgir com o enlicitide, primeiro inibidor de PCSK9 em comprimido, aprovado em julho pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. O cardiologista Raul Santos, do Einstein, explicou que o formato oral deve ampliar o acesso ao tratamento por ser potencialmente 30% mais barato que a versão injetável.
A falta de controle do colesterol em pessoas com histórico cardiovascular eleva em 20% o risco de recorrência de eventos em três anos. A combinação de terapias modernas com as tradicionais pode reduzir o risco de um segundo infarto em até 20% adicionais, além da redução de 30 a 45% já proporcionada por estatinas e ezetimiba.


