Políticos e analistas da oposição na Venezuela reagiram com críticas a negociações entre o governo de Donald Trump e a administração de transição de Delcy Rodríguez para garantir participação direta em reservas de petróleo. A proposta é classificada por setores críticos como uma apropriação territorial incompatível com a Constituição do país.
As conversas envolvem o acesso a mais de uma dúzia de campos petrolíferos, com reservas estimadas em 65 bilhões de barris. As áreas estão concentradas na região do Lago Maracaibo e na Faixa Petrolífera do Orinoco. Uma das propostas em discussão prevê a concessão de exploração por até 100 anos.
A movimentação ocorre após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro e a nomeação de Delcy Rodríguez para presidir o governo interino. Rodríguez já exercia as funções de vice-presidente e ministra do Petróleo.
Uma liderança da oposição, que falou sob anonimato a agências internacionais, descreveu o projeto como uma apropriação de terras com lógica mafiosa. O historiador Gregory Brew, analista da Eurasia Group, comparou a iniciativa às concessões anglo-persas do início do século XX, afirmando que o modelo é colonial.
Segundo Brew, o objetivo da gestão Trump é estratégico, visando impedir que Rússia e China mantenham acesso privilegiado aos hidrocarbonetos venezuelanos. A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo, com 303 bilhões de barris, volume superior ao da Arábia Saudita e do Irã.
A apuração indica que a estratégia de Washington faz parte de um redesenho da política externa para a América Latina. O plano combina pressão econômica e controle de recursos estratégicos para reduzir a influência chinesa na região.

