O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou cerca de 20,5 mil candidaturas para os cinco cargos em disputa nas eleições de 2026, incluindo vices e suplentes. O volume representa uma queda de 8,7 mil registros em comparação ao pleito de 2022, refletindo barreiras à participação eleitoral e mudanças nas regras de competição.
O perfil predominante dos candidatos é de homens (65%), brancos (48,7%), casados (50%) e com ensino superior completo (58,5%). O levantamento evidencia um abismo educacional: enquanto 69% dos candidatos chegaram à universidade, apenas 17% dos eleitores possuem curso superior, dos quais um terço não concluiu a formação.
A faixa etária majoritária concentra-se entre 45 e 54 anos, acompanhando o envelhecimento do eleitorado. O grupo de votantes com 60 anos ou mais já representa 23,6% do total, superando os jovens de até 30 anos, que somam 21,55%.
Celso Fernandes, cientista político da Associação Brasileira de Direito Eleitoral e Político (ABRADEP), afirmou que a redução nas candidaturas decorre de medidas como a limitação de registros por partido para deputados, a cláusula de barreira e a criação de federações partidárias. Fernandes declarou que o sucesso eleitoral e o poder no Brasil ainda pertencem ao homem branco.
Em relação à raça, a soma de candidatos pardos (36,2%) e pretos (13,6%) atinge 49,9%, equilibrando-se com os brancos. No entanto, o sociólogo Hector Vieira, professor do Ibmec Brasília, explicou que o aumento nos registros não garante competitividade, citando que homens brancos concentram maior parte dos recursos do Fundo Eleitoral e ocupam mais cargos majoritários.
Entre as profissões, empresários (12,5%) e advogados (8,2%) são os mais frequentes. Políticos com mandato também aparecem: 8,2% se declaram deputados (4,3%) ou vereadores (3,9%). O levantamento também registrou a presença de influenciadores digitais, motoboys e técnicos de enfermagem.
A disputa varia por cargo e local. O posto de deputado distrital no Distrito Federal é o mais concorrido, com média de 17,5 candidatos por vaga. Para a Câmara dos Deputados, a média nacional é de 14,87, enquanto o Senado apresenta 5,8 concorrentes por cadeira. Dos senadores atuais, 32 buscam a reeleição.
Houve avanço na coleta de dados de identidade de gênero e orientação sexual, respondidos por 58% e 51% dos candidatos, respectivamente. Carmela Zigoni, assessora do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), afirmou que a coleta desses dados pelo Estado confere maior visibilidade a minorias sociais.


