A Vale analisa a possibilidade de obter terras raras, ouro e outros minerais a partir de rejeitos de mineração, estratégia denominada mineração circular. A iniciativa faz parte de estudos iniciais para ampliar o aproveitamento de resíduos, embora a empresa ainda não tenha definido investimentos para a exploração direta desses minerais.
O vice-presidente executivo técnico da mineradora, Rafael Bittar, afirmou que a companhia está cautelosamente otimista com os resultados preliminares, que são considerados animadores. No entanto, Bittar informou que as análises estão em estágio inicial e ainda não foi identificada viabilidade econômica para quantificar ou estruturar a operação.
A estratégia de reaproveitamento já é aplicada em outras frentes. No Pará, na Barragem do Gelado, a empresa utiliza dragas elétricas desde 2023 para extrair material com 63% de teor de ferro. Operações semelhantes também ocorrem em Minas Gerais.
A movimentação ocorre em meio a pressões do Governo Federal. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou ter certeza de que a Vale investirá em projetos de minerais críticos e estratégicos, especialmente terras raras, para auxiliar na reindustrialização do país. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também manifestou intenção de discutir a exploração de lítio e terras raras com a companhia.
Apesar do interesse governamental, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o foco da empresa permanece em commodities com escala e vantagem competitiva, como minério de ferro, cobre e níquel. Pimenta explicou que terras raras e lítio fazem parte de estudos, mas que qualquer nova iniciativa dependerá da disciplina na alocação de capital.
O setor enfrenta barreiras estruturais no Brasil. Pablo Cesário, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), afirmou que a falta de capacidade de processamento em escala industrial e a ausência de um mercado estruturado no país são os principais entraves. Atualmente, a tecnologia de processamento e a infraestrutura de mercado estão concentradas na China.
Paralelamente, a Vale apresentou em 18 de agosto o relatório Destravando o Potencial da Mineração no Brasil. O plano sugere a padronização de licenciamentos e a implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com a meta de gerar 2,3 milhões de vagas no setor.


