A disseminação de conteúdos sobre cuidados com a pele nas redes sociais levou jovens da Geração Z a adotarem rotinas complexas de skincare antes mesmo dos primeiros sinais de envelhecimento. O uso precoce de ativos como retinol e ácidos, porém, tem provocado a sensibilização da pele e o comprometimento da barreira cutânea.
A facilidade de acesso a informações sobre substâncias como niacinamida, peptídeos e ácido glicólico transformou itens antes restritos a consultórios em produtos corriqueiros. O movimento gerou um cenário onde jovens apresentam ressecamento, manchas e irritações devido a rotinas excessivas que ignoram a fisiologia da pele.
O cirurgião plástico facial Fernando Molina explica que a perda de qualidade da pele resulta de uma combinação de fatores contemporâneos. Além da genética, o médico cita a privação de sono, o estresse, a alimentação inadequada e a exposição solar como causas de inflamação e alteração da barreira de proteção do organismo.
A lógica das redes sociais impulsiona a crença de que rotinas com múltiplas etapas são mais eficazes. A tentativa de combinar diversos ativos para acelerar resultados pode gerar ardência e descamação. Segundo Molina, o cuidado deve respeitar a biologia cutânea e não seguir tendências virais.
A discussão sobre o envelhecimento precoce também envolve o uso de telas. Embora a luz azul seja estudada, o médico afirma que o impacto maior vem dos comportamentos associados ao celular, como o sedentarismo e noites mal dormidas, que desregulam a saúde do organismo.
O mercado de beleza popularizou conceitos como o collagen banking, que propõe a preservação da estrutura da pele desde a juventude. Molina pondera que a prevenção consiste em proteger a qualidade da pele, e não em realizar procedimentos invasivos aos 20 anos por medo de envelhecer.


